PROGRAMA EDUCATIVO

Um dos eixos fundamentais da atividade da Blue House é a construção de propostas educativas que permitam a aproximação e sensibilização das crianças e jovens às diversas linguagens artísticas. A nossa proposta é desenhada para ser implementada fora da esfera escolar, proporcionando uma experiência diferente, onde o objetivo é viver o momento presente, em articulação com a comunidade e o território.
No desenho de um Programa Educativo em parceria com a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), as actividades serão pensadas e trabalhadas em relação com o espaço, a partir das relações que nele e com ele se estabelecem, combinando expressões e linguagens artísticas. É essencial pensar e partilhar lugar, território, movimento, natureza, paisagem.
OFICINAS

DIÁRIO DA TERRA
A oficina de verão “Diário da Terra” tem como objetivo estimular a observação da natureza através da exploração de campo e da expressão artística. A Escola Agrária é o cenário ideal para desenhar, recolher texturas, sentir a terra nas mãos e deixar-se surpreender pelo que nos rodeia. Pretendemos que as crianças tenham contacto direto com o meio natural e desenvolvam a sensibilidade para escolher e registar aquilo que verdadeiramente lhes capta a atenção. Assim, cada participante irá construir o seu próprio Diário da Terra — um caderno feito do zero pelas suas mãos — onde realizará exercícios de desenho, pintura, recorte e colagem. Cada exemplar é único: desde a decoração da capa até à decisão do que merece ser desenhado ou ignorado. Todo este processo ensina a criança a fazer escolhas estéticas e a confiar no seu próprio ponto de vista.

O TEATRO E O JOGO
O teatro é, antes de mais, um espaço de relação. Um lugar onde o jogo só existe quando há outro para o receber e transformar. Ao longo de uma semana, exploraremos o conceito de amizade através do jogo teatral. Por meio de improvisações, exercícios de escrita e criação coletiva, os/as participantes experimentarão diferentes formas de criar e brincar em conjunto. Ser amigo nem sempre é fácil. Tal como no teatro, é necessário ouvir, discutir, ceder, e tentar outra vez. Num tempo cada vez mais marcado por interações rápidas e superficiais, esta oficina procura promover uma experiência direta, física e presente, onde o foco está na escuta e na relação com o outro.

O CARNAVAL DE ALECRIM
Esta oficina tem por principal objectivo possibilitar às crianças a descoberta e exploração das possibilidades criativas do seu próprio movimento tendo como principal estimulo a pintura de Joan Miró. Proporciona às crianças experienciar diferentes modos de observar, sentir e transformar a pintura, através da imaginação e do corpo, em movimento.

CORPO-PLANTA
Ao longo de quatro manhãs e um dia inteiro, vamos trabalhar a partir de caminhadas recoletoras, explorando o que o espaço oferece, e aquilo que podemos recolher. A relação com as plantas serve de ponto de partida para a consciência do corpo, com propostas de movimento, como alongamentos e posturas de yoga, inspiradas no crescimento, no enraizamento e na adaptação. Com objetos botânicos de pequena escala, vamos experimentar técnicas como frottage e estampagem, criando padrões e texturas, para construir um registo coletivo de grande formato. Com materiais de maior escala, como canas, ramos ou folhas, vamos testar formas de construção no espaço, criando estruturas como abrigos, ninhos ou outras esculturas que possam permanecer na paisagem.

APRENDER O TEMPO
A fotografia analógica é ainda um exercício doce de paciência, onde muitas etapas podem dar errado. Obriga a que olhemos bem para o que está à nossa volta, que pensemos no que realmente queremos guardar, na luz certa, no melhor ângulo, no tremer dos nossos braços. Aprendemos a esperar até chegar o resultado final, a torcer os dedos para que aconteça uma pequena grande magia a cada rolo, a cada fotografia. É um exercício de memória e nostalgia. Afinal, para quem guardamos as memórias de hoje? Vamos aprender em conjunto algumas regras simples e importantes da fotografia, atravessando as nuances do formato analógico até às infinitas possibilidades do formato digital. Aprender a olhar devagar, procurar os detalhes e contar as nossas histórias através dos nossos retratos.

COIMBRA DESDOBRADA
Esta oficina propõe um processo de criação de narrativas coletivas a partir da leitura de imagens do território em que se desenvolve. A partir da observação do território — seus objetos, paisagens e atmosferas — as crianças são convidadas a produzir sentidos próprios, ativando memórias, afetos e imaginação na produção de uma história autoral. O trabalho articula diferentes expressões artísticas, combinando linguagens como narrativa oral, linguagem escrita, desenho, expressão corporal e registro fotográfico. Ao longo da semana, cada grupo constrói um zine que reúne fragmentos dessas experiências e histórias, culminando em uma apresentação pública no formato de feira do livro, com exposição, contação de história e sessão de autógrafos.

ORQUESTRA DE FORMAS E SONS
Este atelier propõe o encontro entre imagem, cor, som e movimento, através de um processo coletivo. A partir de formas geométricas coloridas, os participantes criam composições visuais que são depois associadas a sons. Dessas relações nasce uma partitura simples e minimalista, pensada para ser interpretada em grupo. À semelhança de uma pequena orquestra, cada participante contribui para uma criação comum, explorando o ritmo, a escuta e o diálogo entre diferentes formas de expressão.

BRINC(RI)ANDO
Nesta oficina, as crianças são convidadas a celebrar o fazer artístico como espaço de liberdade, crescimento e alegria. Explorando várias técnicas e materiais, vão brincar, criando - criar, brincando. A patir de formas moldadas pelas mãos na cerâmica, fios entrelaçados com paciência na tecelagem, a pintura de autorretratos com rostos reinventados e composições coloridas no mosaico, cada peça criada revelará histórias, emoções e olhares únicos sobre o mundo.

RITMUNDO
A oficina ministrada pelo músico e performer Iúri Oliveira, pretende dinamizar as crianças ao ritmo e expressão musical sem, propriamente, um instrumento e/ou qualquer formação ou contacto com a música. O uso do corpo como percussão corporal e instrumentos não musicais mas que através do seu uso não ortodoxo, tirar som, misturado com uma grande dinâmica de grupo e energia de comunidade, vai possibilitar que esta dinâmica seja uma experiência única.

ERRAR É O PLANO | POESIA, BEATBOX E ARTES PLÁSTICAS
Nesta oficina convidamos as crianças a explorar e estimular as suas formas de expressão particulares. Com foco na poesia, beatbox e artes plásticas pretendemos que a expressão artística se constitua como um espaço seguro que oferece múltiplas possibilidades para a construção e afirmação de identidade e para a partilha em comunidade. E, como tal, aqui o erro é desmistificado, aceite e explorado.
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